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setembro 21, 2006

“Numa terra pequena também se fazem grandes coisas”

São nove da noite de sexta-feira. No palco do Festival de Música do Alviela actua a banda portuguesa Expensive Soul, que abriu o programa. A essa hora António César Clemente, 75 anos, está a chegar ao recinto. Desce com cuidado a última ladeira que dá acesso ao vale onde está montado o palco. Caminha apoiado numa bengala. Veio sozinho da localidade vizinha da Louriceira para “ver este ambiente” e apreciar os músicos que vão actuar. “Numa terrazinha tão pequena também se fazem grandes coisas. É preciso é boa vontade”, diz com boa disposição.

No recinto ainda há pouca gente. As clareiras são muitas, os vários bares estão quase todos desertos. Perto das 21h30 os Fingertips preparam-se para entrar em palco. O ambiente entre os espectadores está longe de ser o mais entusiasmante. Tirando algumas dezenas de jovens junto ao palco que vão pulando e cantando, o grupo de Viseu é recebido com alguma indiferença.

A maior parte veio com uma ideia fixa. As crianças e adolescentes para ver os D’ZRT, que tocavam a seguir. Os mais velhos para assistir ao samba de Martinho da Vila que encerrava a noite. Sandra Nobre e Sofia Clemente, mulheres na casa dos 20 anos, vieram da Louriceira para ver o show do brasileiro e também porque sentem a causa da despoluição do rio como sua.

Enquanto os D’ZRT não chegam, Lídia Ribeiro, 49 anos, observa com a filha e algumas amigas a actuação dos Fingertips. Neuza Ribeiro, 10 anos, até está a gostar, mas prefere guardar as energias para quando começar a tocar o grupo popularizado pela série Morangos com Açúcar.

Numa pausa para “abastecimento e desidratação” encontramos Simão e Filipa, um casal jovem que veio de Bugalhos para apoiar a causa do Alviela e “curtir “ os D’ZRT, ele, e os Fingertips, ela. Antes de se dirigirem para a zona do palco onde actuam os D’ZRT lançam a promessa de para o ano voltarem se houver festival.

Só perto das 23h00 a moldura humana começa a ser mais condizente com os 12 mil bilhetes que terão sido vendidos para os dois dias, como havia anunciado o presidente da Câmara de Santarém, Moita Flores, no dia de estreia. Mas mesmo assim longe desse número. Apesar da ajuda de muitas caras conhecidas da política local que fizeram questão de marcar presença. Como os deputados Francisco Madeira Lopes (Verdes) e Luísa Mesquita (PCP), os presidentes da câmara e da assembleia municipal, alguns vereadores da maioria e da oposição e muitos presidentes de junta.

A noite algo fria pode ter contribuído para a pouca procura de cerveja. A máquina dos gelados esteve às moscas grande parte do tempo. As barracas de cachorros e hambúrgueres esperavam com certeza mais clientela. A tenda VIP tinha também pouca gente. Mesmo assim, para estreia não foi mau. E a noite de sábado melhorou em termos de assistência e negócio.

O Mirante

Publicado por morangostvi às setembro 21, 2006 12:46 PM

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